No Japão, fazer uma tattoo é coisa antiga. Tem um documento chinês que mostra que por volta de 297 a.C. os japoneses já eram chegados a uma tattoo. Mais de 500 anos depois, a tatuagem virou símbolo de punição. Quem aprontava muito e cometia crimes, era marcado para sempre. Por volta do séc. XVIII, a tattoo começou a ser vista como sinal de beleza. Quem tinha as tattoos feitas como marcas de castigo, inauguraram um recurso que muita gente arrependida faz até hoje: cobrir a tattoo antiga por uma nova.

Nesse período, a técnica de tatuagem mais popular era o Tebori. Tudo era feito sem maquininha. As agulhas tattoo ficavam na ponta de uma haste de bambu. Era tudo resolvido no braço. Ou melhor, nas mãos. Fazer uma tatuagem era como fazer uma escultura. Não é à toa que a tradução para Tebori é gravar, entalhar com as mãos.

Para ser tatuador no Japão do séc. XVIII era preciso ser muito bom para dominar totalmente a técnica. Como não existia escola, quem quisesse aprender precisava ficar ao lado do mestre o tempo todo. O aprendizado durava pelo menos, uns 5 anos e o aluno tinha aula em tempo integral. Por isso, muitos deles acabavam morando no lugar onde eram feitas as tattoos, que geralmente era a casa do mestre.

Tattoo Artist at Work

Questão de técnica.
Para fazer as tatuagens, os mestres usavam as hastes de bambus com agulhas tattoo na ponta. Uma das mãos segurava o instrumento. A outra mão ia esticando a pele para receber o pigmento. Só fera se metia a fazer tattoo, porque era preciso calcular a força exata para a agulha tattoo penetrar na pele. A direção da agulha também era importante, assim como a forma como ela tocava o local.

A quantidade de agulhas tattoo utilizada variava de acordo com o que se estava fazendo. Para contorno (Sujibori) o mestre usava de 4 a 7 agulhas tattoo. Para sombreamento (Bokashibori) o número era maior. Eram usados dois conjuntos ao mesmo tempo, um com 12 agulhas tattoo e outro com 13 agulhas. Um conjunto ficava mais recuado que o outro para conseguir o sombreamento.
Tattoo Artist Working with Clients

Nas tattoos, temas não se misturam.
Nos desenhos a tradição também é lei. Misturar temas em um mesmo desenho, nem pensar! Por exemplo, fazer uma tattoo de uma serpente ao lado de uma cerejeira florida, o mestre não fazia de jeito nenhum! O motivo? É que na natureza serpente e flores de cerejeira nunca aparecem juntas, são de estações diferentes. Quando a cerejeira floresce, a serpente está hibernando. E quando a serpente está desperta, não tem flores na cerejeira.

O Tebori é uma técnica antiga que poucos tatuadores no Japão usam atualmente. Um dos mais importantes é o Horiyoshi III. Ele é tão fera que faz os desenhos das tattoos direto na pele. Para preencher usa a tradicional técnica Tebori. Quer conhecer o trabalho dele?
Fonte: Indelevel.org

Horiyoshi The Third : The Skin Carver (directed by Johnnie Shand Kydd) | Legendado pt from Indelével on Vimeo.