Dexter Holland fala com otimismo de ‘Days go by’, novo disco do grupo.
‘As coisas vêm e vão. O pop pode cair e o rock tomar seu lugar’, diz ao G1.

Dominadas pelo pop dançante, as paradas de hoje podem sofrer uma reviravolta roqueira se depender do Offspring. Em entrevista ao G1, o vocalista Dexter Holland afirma que o grupo tem as ferramentas para protagonizar a volta do estilo. O cenário é parecido com aquele do meio da década de 90, quando a banda californiana lançou “Americana” e vendeu mais de 15 milhões de cópias. Foi assim que colocoram o gênero novamente em evidência.
Os fãs tiveram que esperar quatro anos para ouvir “Days go by”, nono álbum de estúdio do Offspring, lançado no final de julho. Com 12 faixas – entre elas a regravação de “Dirty magic”, do disco “Ignition” (1992) -, o disco é o primeiro com Pete Parada. Ele entrou para a banda após as gravações de “Rise and fall, rage and grace” (2008), na bateria.

Grupo californiano Offspring em foto de divulgação do álbum 'Days go by' (Foto: Divulgação/Sam Jones)
Grupo californiano Offspring em foto de divulgação do álbum ‘Days go by’ (Foto: Divulgação/Sam Jones)

Holland, atualmente em turnê com o grupo, falou sobre o novo trabalho e os motivos pelos quais o Offspring demorou tanto para colocá-lo nas ruas. Ele também lembra da última passagem pelo Brasil (“uma loucura!”) e comenta que os integrantes ainda se divertem tocando juntos, mesmo após mais de 20 anos de carreira.

 O disco ‘Days go by’ saiu recentemente. Qual sensação ficou depois de ter terminado de gravá-lo?
Dexter Holland – Estou muito orgulhoso e empolgado com esse trabalho. Amo estar em uma banda e amo compartilhar nossa música com as pessoas. Ficamos empolgados para fazer as melhores músicas que poderíamos fazer. Estamos nos divertindo no momento.

É o primeiro com Pete Parada na bateria. O que ele traz de novo para vocês?
Holland – Pete é um baterista fantástico e tem muita energia. O que é ótimo no Pete é que ele toca bem as coisas mais punks do nosso repertório. Ele faz isso por ter experiência tocando em bandas punks, mas também é um excelente baterista de rock. Então ele cobre todos os estilos.

 O Offspring levou quatros anos para lançar o CD. Por quê?
Holland – Você não é o primeiro a me perguntar isso. Concordo que não deveria ter demorado tanto. É incrível como o tempo voa. Você lança um disco, sai em turnê por pelo menos um ano… Também tocamos no ano seguinte. De repente, dois anos se passaram e não tínhamos pensado em gravar. Então, o processo levou mais alguns anos. Queríamos ter certeza de que as músicas fossem boas e que traríamos algo de novo. Levou esse tempo para ficar do jeito certo.

Como foi a produção e a gravação?

Holland – Chamamos o Bob Rock, que também trabalhou com a gente no último disco. Ele tem um trabalho fantástico com o som das guitarras, então quisemos chamar ele outra vez. O Bob é ótimo, no estúdio ele é capaz de te pressionar para que você faça algo melhor do que faria. Ele sempre faz isso de uma forma gentil, sem gritar. Você faz algo e ele diz: “hum, fico pensando no que você poderia fazer de diferente”, apenas tentando te ajudar a ir além. E ele consegue, ele realmente ajuda a fazer com que as músicas fiquem melhores.

Acredita ter aprendido a cantar melhor ao longo dos anos ou pelo menos a usar a voz de uma forma mais inteligente?

Holland – Com certeza. Quando fizemos nosso primeiro álbum e saímos em turnê, minha voz ficou horrível e rouca. Demorei um tempo para aprender a controlá-la. Todos crescemos e mudamos um pouco, e acho que minha voz também mudou um pouquinho.

Dexter Holland, do Offspring, canta com a banda em festival paulistano em 2008 (Foto: Mateus Mondini/G1)

Por que regravar ‘Dirty magic’?
Holland – Essa é uma música que gostamos muito e todo mundo que ouvia o “Ignation” dizia: “eu amo ‘Dirty magic’, é minha canção preferida”, mesmo sendo a mais diferente daquele álbum. Achamos legal que todos gostavam dela, mas infelizmente muita gente não ouviu ela até que a gente lançasse o disco seguinte, “Smash”. Tocávamos “Dirty magic” nos shows do “Smash” e ninguém a conhecia, então é uma daquelas situações nas quais os fãs mais fiéis a consideram uma favorita, mas os fãs mais “normais”, mais familiarizados com os discos recentes, não a conhecem. E achamos que seria uma boa uma chance para que eles a ouvissem agora.

Quando o Offspring lançou ‘Americana’, as paradas eram dominadas pela música pop, e vocês colocaram, de certa forma, o rock de volta lá. Na sua opinião, quem poderia fazer o mesmo hoje em dia?
Holland – Quem poderia colocar o rock de volta nas paradas? Nós! Quem sabe… O universo da música pop é bem diferente do nosso, então é complicado dizer. O que eu aprendi, porém, é que as coisas sempre vêm e vão, então o pop pode se afastar um pouco e o rock tomar seu lugar. Tem também os rappers… nunca se sabe o que vai acontecer em seguida. Não ligamos muito para isso, só

 Quais recordações têm da última vez que vieram ao Brasil?
Holland – Foi uma loucura! Acho que o Brasil tem alguns dos fãs mais cheios de paixão do mundo. Acho que faz parte da alma do povo. Mas gostamos disso, faz com o show seja cheio de energia e bem selvagem, pois queremos que as pessoas fiquem malucas e pulando enquanto tocamos. Sempre gostamos de tocar no Brasil.

 Vocês chegaram a cogitar o fim do Offspring em algum momento?
Holland – Não, porque [tocar] é algo divertido para nós. Se não estivéssemos nos divertindo, então procuraríamos outra coisa pra fazer. Estar em uma banda sempre foi a melhor coisa que a gente poderia ter imaginado para nossas vidas e vamos continuar contanto que seja algo que estamos gostando de fazer.

_______________________________________________________________________
Fonte: G1