Tatuagem ajudando a Medicina
Eu não tenho muitas tatuagens visíveis – na verdade, apenas uma no braço e uma no peito que, dependendo da blusa, acaba aparecendo -, mas uso alargadores nas orelhas, na concha e nas narinas. No momento estou estudando, mas tenho de fazer estágios em escolas, e, frequentemente, tenho de ministrar aulas.

Agora pense na descrição que lhes dei acima; você me imagina entrando numa sala de aula de, digamos, 6º ou 9º ano? E consegue prever a reação das coordenadoras e diretoras quando têm de me receber e me designar a uma turma colegial? Para mim, até hoje, é um tanto quanto surpreendente perceber o quão bem tratada eu sou!

Nunca sofri preconceito por parte de nenhuma administração escolar e nem por parte dos alunos, que, acredito, devem achar até legal uma professora com um estilo diferente.

Quando pensamos em determinadas situações, em demonstrações de preconceito contra tatuados e pessoas “diferentes”, muitos de nós concordamos que “a coisa melhorou”. E, em partes, melhorou mesmo! Apesar de um ou outro caso pontual, hoje em dia já é possível dormir mais tranquilo depois de ter feito uma tatuagem.

Este texto é dedicado aos companheiros tatuados que ainda temem o preconceito!

Quando pensamos em determinadas situações, em demonstrações de preconceito contra tatuados e pessoas “diferentes”, muitos de nós concordamos que “a coisa melhorou”. E, em partes, melhorou mesmo! Apesar de um ou outro caso pontual, hoje em dia já é possível dormir mais tranquilo depois de ter feito uma tatuagem.

Este texto é dedicado aos companheiros tatuados que ainda temem o preconceito!

No mês passado, o Nathan postou neste blog uma matéria que trazia a declaração de um professor, dizendo que a medicina é radicalmente contra a tatuagem. O vídeo da TV Canção Nova pretende abordar a opinião da Igreja a respeito do piercing e da tatuagem, mas a frase do professor (não sei o que ele ensina) pretende revelar questões mais amplas.

Mais uma vez, vai a fala do professor por escrito: “porque a medicina é radicalmente contra a tatuagem, pois é algo que prejudica a pele, porque é muito difícil remover, através de um processo a laser, sendo um processo demorado, caro e doloroso”.

Acho que, antes de mais nada, vale a pena considerar o fato de não haver um estudo sequer que chegue à conclusão de que a tatuagem seja prejudicial à pele (apesar de tantas pesquisas já realizadas). Mas, além disso, uma navegada pela internet mostra situações bastante contrárias à afirmação do professor e apresentador da Canção Nova.

É interessante, por exemplo, o relato do tatuado Marcelo Galega, autor do livro “Tattoo Your Soul”, na ocasião em que se internou para realização de uma cirurgia: “Logo na entrada, fui muito bem tratado pela equipe da recepção. Fui atendido pela primeira enfermeira, que fez questão de comentar sobre minhas tattoos e mostrar que preconceito naquele hospital não existe. Fui atendido por mais pelo menos 10 enfermeiras, 2 anestesistas e 2 médicos que iriam me operar. Sempre que eu precisei falar com alguma enfermeira ou médico, todos comentavam algo sobre minhas tattoos”. Em suma, ninguém se posicionou contra suas tatuagens dentro do hospital. Muito pelo contrário, os comentários a respeito, segundo ele, foram amigáveis.

Tatuagem ajudando a Medicina
Numa visita a outra página da internet, vejo a notícia de que algumas pessoas vem fazendo tatuagens com propósitos médicos nos Estados Unidos. Pois é, pois é, pois é! A ideia por trás dessa prática é a de agilizar atendimentos emergenciais. E na foto da matéria um patologista exibe sua tatuagem no peito, com a inscrição “no CPR”, indicando que ele não deseja ser ressuscitado em caso de parada cardíaca!
Tatuagem ajudando a Medicina

A pessoa pode ainda tatuar seu tipo sanguíneo ou se possui alguma doença ou alergia da qual o paramédico precisa tomar conhecimento o quanto antes, como é o caso da diabetes. Ao que parece, muitos médicos não só aprovam como incentivam esse tipo de tatuagem!
Tatuagem ajudando a Medicina

No estado da Pensilvânia, inclusive, uma fabricante de braceletes e identificações médicas, a Hope Paige, começou a enviar, junto com seus pedidos, tatuagens temporárias, dessas adesivas, que, segundo a empresa, poderiam dar às pessoas ideia de como ficariam suas tatuagens permanentes, caso estejam pensando em fazer.

Uma tatuagem mais polêmica, que vem sendo adotada, porém, por muitas pessoas, é o aviso “Do not resuscitate”. Acontece que, por lei, socorristas e médicos devem fazer de tudo para manter o paciente vivo. Não aplicar técnicas de ressuscitação é visto como negligência ou mesmo omissão de socorro.
Tatuagem ajudando a Medicina

Foi após presenciar o sofrimento do marido que esta adorável senhora, Joy Tomkins, de 81 anos, decidiu marcar o aviso em seu peito. Apesar de não sofrer de nenhuma doença grave, ela não deseja correr o risco de ser mantida viva a qualquer custo, sofrendo e sentindo dores que julga desnecessárias. Além da frase no peito, ela tatuou, nas costas, a antiga sigla “P. T. O.”, “Please turn over” (numa tradução literal, “por favor, vire”), uma brincadeira com a séria possibilidade de seu corpo ser deixado em qualquer lugar e de não receber um tratamento minimamente digno.
Tatuagem ajudando a Medicina

Mesmo que este último caso leve a discussões, ainda assim, mostra que a tatuagem acaba sendo importante para a medicina, no sentido de possibilitar que o paciente receba o tratamento mais adequado para sua condição ou que sua vontade seja cumprida em situações extremas.

Então podemos concluir que a declaração do professor, além de refletir uma opinião pessoal – e não a de uma classe de profissionais -, revela nada mais que seu preconceito.

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Fonte:Tattoo Tatuagem